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Carla Medrado
Consultora em Cultura Organizacional, Liderança, Bem-estar e Felicidade
Founder da IN Sight
O que faz um lugar ser bom para trabalhar? A resposta intuitiva costuma vir cheia de benefícios: salário, day off no aniversário, plano de saúde robusto, home office flexível. Só que, quando se estuda clima organizacional a sério, esse não é o fator que mais explica a diferença entre um time que floresce e um que só resiste. O fator é confiança. E existe um modelo, usado em mais de 60 países, dedicado a medir exatamente isso: o Trust Index®, da Great Place To Work (GPTW).
Como partner certificada da GPTW, acompanho de perto como essa metodologia traduz algo tão subjetivo quanto “confiança” em dado concreto, e como isso muda a conversa sobre clima dentro das empresas.
O Trust Index® não pergunta, de forma solta, se a pessoa está feliz no trabalho. Ele avalia cinco dimensões específicas da relação entre colaborador e empresa: credibilidade, ou seja, o quanto a liderança é vista como confiável; respeito, o quanto a pessoa se sente valorizada; justiça, o quanto o tratamento é percebido como equânime; orgulho, o quanto a pessoa se identifica com o que faz e com quem trabalha; e camaradagem, a qualidade das relações dentro do time. São 58 afirmativas, testadas e validadas internacionalmente, que decompõem clima organizacional em algo mensurável, comparável ano a ano, e acionável.
O estudo GPTW Brasil 2025, em sua 29ª edição, reconheceu 175 empresas como Melhores Empresas Para Trabalhar, impactando mais de 5,3 milhões de pessoas. O dado mais relevante para quem ainda trata clima como “coisa de RH”: as empresas certificadas registraram, em média, 14% de crescimento de receita no período, o equivalente a 4,1 vezes o crescimento do PIB brasileiro no mesmo intervalo. Não é coincidência. É a confirmação, em escala, do que a literatura de gestão vem apontando há anos: ambientes de alta confiança entregam mais resultado, não apesar do cuidado com as pessoas, mas por causa dele.
A maior virada de chave que o modelo GPTW traz não é o selo em si, é o hábito que ele instala: tratar clima como algo que se mede com rigor, se acompanha ao longo do tempo, e se conecta diretamente à estratégia do negócio, não como uma pesquisa de satisfação isolada, feita uma vez por ano e arquivada em seguida. Organizações que levam isso a sério param de perguntar “as pessoas estão felizes?” e passam a perguntar, dimensão por dimensão, onde exatamente a confiança está sendo construída, e onde está sendo corroída.
Fica a pergunta: se confiança é algo que se mede, se compara e se conecta a resultado de negócio, por que tantas organizações ainda tratam clima organizacional como intuição, em vez de indicador?
Referências
GREAT PLACE TO WORK BRASIL. Estudo das Melhores Empresas Para Trabalhar Brasil 2025. 29ª edição, 2025. Disponível em: gptw.com.br/conteudo/estudos-gptw/melhores-empresas-para-trabalhar-2025
GREAT PLACE TO WORK. Metodologia da Pesquisa Trust Index®. Disponível em: conteudo.gptw.com.br/metodologia_pesquisa_trust_index